O coração é um órgão muscular, que deve funcionar ininterruptamente. Por isso, a demanda de oxigênio no músculo cardíaco é muito alta. Qualquer fator que leve à insuficiência vascular, mesmo que transitória, causa um quadro de angina.
Angina pectoris ou angina do peito (angina = sufocamento) é uma insuficiência vascular nas artérias coronárias,levando a hipóxia transitória do músculo cardíaco. O quadro clínico é de dor aguda sub-esternal do tipo pressão ou aperto, que pode se irradiar para o braço esquerdo, pescoço e mandíbula, com duração de 5 a 15 minutos.
As fisiopatologias mais freqüentes são: a aterosclerose e o espasmo vascular. Uma vez que o paciente já possui uma patologia vascular, fatores como o excesso de ansiedade, medo, dor aguda e esforço, situações comuns em Odontologia, desencadeiam a situação. Como é uma condição localizada no músculo cardíaco, há pouca ou nenhuma repercussão na pressão arterial do paciente.
O tratamento farmacológico baseia-se no uso de antiagregantes plaquetários e nitratos, betabloqueadores e antagonistas dos canais de cálcio (em conjunto ou isoladamente).
De forma resumida, precisamos reconhecer:
• angina pectoris estável – possui um padrão conhecido para o paciente. Ocorre após eventos específicos como esforço ou emoções, sem modificações clínicas por, no mínimo, dois meses. A dor cessa após repouso ou administração de vasodilatadores coronarianos a base de dinitrato de isossorbida oral (Isordil ®), sub-lingual ou propatilnitrato oral (Sustrate®), sublingual. Se o paciente tiver somente angina pectoris estável o prognóstico é bom.
• angina pectoris instável – apresenta variação em um ou mais dos padrões conhecidos:
1) modificação na situação que causa dor (exemplo: dor, mesmo em repouso).
2) modificação no padrão da dor: aumento da frequência, duração e/ou intensidade.
3) redução ou falha na ação da nitroglicerina.
O tratamento odontológico de rotina é contra-indicado na angina instável.
Se o paciente tiver angina pectoris instável e/ou possuir outras doenças de base, pode evoluir, mais rapidamente, para infarte do miocárdio.
Pacientes com dor, que se prolonga por mais de 15 minutos, possuem angina instável ou está infartando.
O tratamento de urgência de uma crise de angina consiste de repouso absoluto e vasodilatadores coronarianos, como um nitrato sublingual. A resposta, normalmente, é rápida. Se não resolver, chamar socorro médico especializado. No infarto do miocárdio, nem a nitroglicerina, nem o repouso aliviam os sintomas.
O infarto agudo do miocárdio é causado por isquemia do músculo cardíaco levando à necrose de parte deste músculo. As causas frequentes são trombose, esclerose, estenose ou espasmo das artérias coronárias. Os sinais e sintomas são, basicamente, os mesmos dos descritos para a angina, só que mais agudos.
A dor do infarto agudo do miocárdio é muito forte com sensação de morte iminente. O tratamento de urgência do infarto consiste de repouso absoluto, administração de analgésicos potentes para a dor e chamar socorro médico especializado. São indicados opióides, por via parenteral, por exemplo: tramadol 50mg (IM ou EV), para alívio da dor. O ácido acetilsalicílico pode ser administrado de forma mastigável em
doses de 160 a 325 mg.
O uso de vasodilatadores coronarianos é controverso. Em pacientes com infarto agudo do miocárdio com menos de seis meses, deve ser adiado todo procedimento odontológico de rotina, uma vez que é muito alto a índice de reinfarto neste período. Só devem ser realizadas as emergências.
Além dos medicamentos usados para angina, pacientes com história de infarto podem também usar anticoagulantes, betabloqueadores e digitálicos (digoxina).
Tratamento Odontológico
• Consultas preferencialmente curtas.
• Checar o uso regular dos medicamentos.
• Manter a cadeira odontológica na posição semi-reclinada. Possível hipotensão ortostática.
• Controle da ansiedade: esclarecer bem os procedimentos que serão realizados e usar sedação leve, em pacientes muito ansiosos.
• Controle da dor eficiente. Pacientes compensados: usar até 3,6 ml (2 tubetes) de solução anestésica com adrenalina a 1:100.000. Se a solução for a 1:200.000, esta dosagem dobra. Pacientes descompensados: não fazer tratamento eletivo. Em caso de urgência usar a mepivacaína a 3%, sem vasoconstritor, para procedimentos curtos (até 30 minutos) e a bupivacaína 0,5% ou ropivacaína 1%, sem vasoconstritores, para procedimentos longos. A sedação está sempre indicada.
• Evitar uso de fios de retração gengival, com adrenalina.
• Em pacientes com angina, ter ao alcance o nitrato sublingual, usado pelo paciente.
• Paciente em uso de Aspirina: NÃO suspender - sem alterações em procedimentos cirúrgicos.
• Pacientes em uso de derivados da varfarina: NÃO suspender - basear-se no INR para decidir o melhor momento para cirurgia.
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